[Análise] Breaking Bad- Temporada 5, Episódio 16- Felina

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ATENÇÃO: Spoilers logo a seguir, leia apenas caso tenha visto o final, ou não ligue para spoilers.

 

Quando Breaking Bad tinha começado, em 2008 a série impressionou logo de cara, com seus ângulos de câmera, fotografia fora do comum e parte técnica quase impecável. No roteiro, aquele era o começo da jornada de Walter White, um professor de química com câncer que resolve ‘’cozinhar’’ metanfetamina querendo deixar dinheiro para sua família depois de morrer. Nesse tempo, Walter adota identidade de ‘’Heisenberg’’, e aos poucos vai se tornando cada vez mais confortável com seu lado ruim.

 

O que foi abordado no parágrafo acima resume o que Walter finalmente diz para sua ex- esposa no episódio, sem querer se justificar, ele só fala isso, dá um abraço na sua pequena filha e vai embora. Sem tempo para se despedir de Walter Jr, ele vai resolver o problema com os nazistas e vai de encontro com a morte.

 

A série fechou de maneira conclusiva, sem reviravoltas que tirariam todo o sentido da trama, e o simbolismo usado, como sempre acontece na série não foi forçado. Eu poderia passar horas falando sobre como a cena final do Walter morrendo no laboratório sozinho, e a música ‘’Baby Blue’’ tocando conforme a polícia chega e encontra seu corpo. Afinal, Walter morreu ao lado de seu amor, não era a família, amigos, ou dinheiro, mas sim a metanfetamina azul que ele criou.

 

Isso não quer dizer que o final foi previsível e sem reviravoltas, no entanto. Com o final aberto do episódio passado, ficava a entender que Walter voltou para Albuquerque em seu modo ‘’Heisenberg’’ completo, furioso e cheio de raiva. Nas cenas que iniciaram a primeira e segunda parte já sabíamos que ele tinha comprado uma metralhadora potente, além de pegar a ricina escondida em sua casa.

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Então, ele vai até a casa de seus velhos colegas, Gretchen e Elliot, em uma cena absolutamente tensa, e pede para ambos pegarem todo o seu dinheiro que sobrou, e deixassem para Walter Jr quando o mesmo completasse dezoito anos. Mas, isso não é tudo, afinal o mesmo ameaçou ambos mentindo que dois franco-atiradores estavam com eles na mira, para ameaçar caso algo no seu plano desse errado. A cena foi muito bem executada, e os dois vão se lembrar dele para o resto da vida, depois de tanto tentarem fazer com que se esquecessem do Walter e sua contribuição para a Gray Matter.

Durante uma rápida cena simbólica com Jesse, onde tem um flashback do mesmo fazendo uma caixa (mencionada durante a terceira temporada), volta para ele escravizado, ainda mais acabado e barbudo. Uma cena curta, mas brilhante que vale a pena mencionar aqui.

 

O episódio inteiro parecia focado em Walter resolvendo tudo, antes de morrer, logo ele marca um encontro com Lydia e Todd para se encontrar com os nazistas dizendo saber uma nova fórmula sem a metilamina, coisa que eles tanto precisam. Disfarçadamente, Walter coloca a ricina no café de Lydia, e ela morre lentamente. Novamente ele estava em total ‘’modo Heisenberg’’.

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Mas, não acabou ainda, pois faltavam os nazistas. Ele vai até o esconderijo deles, e sabia que iria para uma armadilha. No encontro com Jack, ele menciona Jesse e o líder dos nazistas deixa-o ver seu antigo estudante por uma última vez. Nesse momento, ao fingir uma briga, ele abre o porta-malas de seu carro, e de lá a metralhadora começa a atirar para todos os lados. Jesse consegue se livrar das algemas, e mata Todd de uma maneira brutal, e por fim todos os nazistas são mortos acabando com todo o negócio de metanfetamina, consequentemente.

 

No último encontro de ambos, é difícil de não se emocionar com Jesse apontando a arma para Walt, e depois deixando isso para trás. No fim, a atuação de Paul e Cranston é de quebrar o coração, afinal Jesse teve um final feliz. Sua última cena é de ele saindo dos esconderijos dos nazistas gritando conforme finalmente se livra de tudo aquilo, gritando e chorando ao mesmo tempo. Por um momento eu achei que ele falaria um ‘’bitch’’, mas não falou, ainda bem, pois soaria muito caricato.  Sem epílogo para mostrar para onde Jesse vai, mas todo o negócio com as drogas tinha acabado ali, de certa forma deixando conclusivo.

 

Eu já falei da última cena em que o Walter morre no laboratório, mas para finalizar essa análise queria dizer que eu não vejo final melhor do que esse. De certa forma, ele finalmente realizou o que queria, afinal sua família está segura e com dinheiro, Walter deixou o orgulho e admitiu a razão de fazer tudo aquilo,  e morreu em paz. Afinal, para um homem tão esperto quanto o ‘’Heisenberg’’ aquele provavelmente seria o único jeito de polícia o pegar. E a série acabou no alto do mesmo jeito que começou, sem nunca decair em qualidade, sempre melhorando. Com certeza no futuro Breaking Bad merecerá ficar ao lado de séries cultuadas como Família Soprano, A Escuta e Twin Peaks. E terá uma série sobre Saul Goodman, mas a história em si acabou nesse episódio, fechada e sem nada aberto.

 

NOTA DO EPISÓDIO: 10,0/10,0

NOTA DA SÉRIE: 9,8


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